Trip Update 6. Istanbul – Re-loving time

Chegar em Istanbul depois de todos os problemas que tivemos com a empresa Turca lá na Índia foi esquisito. Eu, que sempre amei a cidade, tava super desanimada nos meus primeiros dias de volta. Me foquei em fazer minhas coisas e mal saí de casa, como se eu estivesse num lugar que não fazia mais questão de conhecer. Foi nesse tempo que escrevi o Trip Update anterior. :)

Acho que eu tinha perdido um pouco a fé nos Turcos depois de alguns deles darem mancadas federais, mas vi o quanto era injusto julgar uma população por uns filhos da puta irresponsáveis que um dia cruzaram nosso caminho. É fácil rotular quando você é um estrangeiro. Na hora em que as coisas apertam pro seu lado o fator nacionalidade aparece automaticamente, o que é um tanto preconceituoso. Acho que cada povo tem características únicas e que se aplicam pra maioria. Essas podem ser comentadas (inclusive com os mesmos), mas não dá pra julgar partindo desse ponto.

E no entanto…A vida nos traz surpresas.
Um dos nossos amigos Turcos restantes nos ofereceu apê aqui, nos ajudou em um monte de coisas pequenas e nos mostrou o quanto no fundo, cada um é cada um. Cada coração é um coração.
Esse mês também recebmos a Zelinha (mãe do Bruno, meu irmão da vida) e duas amigas aqui. Ver a cidade com os olhos delas me deu um fio de esperança. Consegui enxergar a beleza e a unicidade que já havia esquecido depois da minha quinta vez aqui.  “Fresh eyes”…nada melhor pra retomar o amor.
Depois, Rico ainda conheceu uma galera super especial, aberta, simples e cheia de vontade de nos fazer amar os Turcos de novo, mesmo que inconscientemente. hehehe
Pra terminar, me arrumaram um trampo pra ensinar inglês pra uma garota 5 anos mais velha que eu, porém, uma das mais doces e puras que eu ja conheci na vida! Nos encontramos todos os dias, e pra isso eu tenho que ir até o lado Asiático de Istanbul, o que leva pelo menos uma hora e meia, entre metrô, funicular e barco.

Esse último virou minha meditação diária e nesse caso,  a inspiração pra atualizar o blog.
Os Barcos em Istanbul são transportes públicos também, como o metrô ou trem. Já havia andado algumas vezes, mas não cotidianamente, o que fez mudar minha visão em relação à eles. Apesar de grandes e cheios de gente, são silenciosos e pacíficos, especialmente no pôr do sol, a hora que eu costumo usá-los. De alguma forma, parece que todo mundo precisa daquele momento de paz pós ou pré trabalho. É um momento que eu sinto que mesmo os locais estão em estado de contemplação à cidade. Pros Turcos o Bosphoros é sinônimo de paz, é o mar deles, aquele que afaga toda a preocupação e tristeza.

No barco, você pode escolher sentar mais confortavelmente do lado de dentro e tomar um chai, vendo a paisagem pela janela. Ou pode escolher sentar do lado de fora, na parte de cima, de baixo, na proa, na popa…O mais interessante é que da mudança de lugar, se tem um novo ponto de vista de Istanbul.
De um ângulo, você vê a Europa, Aya Sophia, Sultan Ahmed Cammi e Topkaki, três ícones da cidade, que chamam atenção de muuuito longe. Do outro lado, você vê a parte Asiática: os tantos predinhos esmagados um do lado do outro, a antiga estação de trem à beira do Bosphoros, sempre cheeeia de gaivotas em volta – essas que fazem o caminho dos barcos todo o tempo, horas voando, horas nadando, horas planando…Lindas. 
Dá pra ter ainda a visão da ponte, que divide os dois lados e segue um horizonte além dela, de noite, iluminada, ainda mais bonita. Logo ao lado, a Galata Tower, destacada e imponente no meio de tantas construções baixas e antigas, seguras pra o caso de um novo terremoto.
Cada cantinho do barco se tem uma nova perspectiva da cidade, vezes cinza, vezes amarelada, quando os raios de sol iluminam parte dos prédios, e aquecem aos passageiros, vulneráveis ao vento sempre  gelado por conta da água tão azul e tão próxima, mexendo em volta do barco. O motor é o artista das suas formas. Adoro sentar na popa e ver a espuma moldando-se, ver os rodamoinhos, as ondas quebrando umas nas outras enquanto ouço o sonoro e rasgante apito do barco…

Esse simples ato rotineiro me fez lembrar o quanto a mesma coisa pode ser vista de zilhões de formas diferentes. O quanto Istanbul continua sendo uma cidade linda, minha primeira opção de indicação, e junto com ela, sim, os Turcos, que podem ser vistos de tantas formas como qualquer outra coisa, dependendo apenas de qual ângulo você observa.  

Vou sentir saudades.

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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