Trip Update 7. São Paulo – De volta…

…A mim mesma.

2 anos e meio fora do país é tempo suficiente pra sentir uma mudança considerável no que antes se conhecia bem. Mudança nas ruas, nas pessoas, nos assuntos, tudo isso observado  pelo que provavelmente mais mudou: meu ponto de vista.

É bom estar de volta, rever todo mundo, sentir-se amada…Passar por onde antes passava e inevitavelmente comparar. É bom até construir uma rotininha, depois de tanto tempo sem ter regras… Cada coisa tem sua hora. 

É bom ver que algumas coisas por mais que mudem, não deixam de existir, como as amizades. Melhor ainda é saber que essas podem sim, ir e vir, e que não é preciso tanto apego àqueles que temos como parte da nossa vida.

A essência de ter amigos é ter com quem contar, saber que alguém estará lá por você se precisar, e para o qual você oferecerá o mesmo. Essa troca as vezes se confunde com a necessidade de tê-los por perto, como se precisássemos de alguém para testemunhar aquilo que acontece na nossa vida e nos lembrar quem somos.

Nos últimos anos vivi tantas coisas diferentes e fui tantas Ariádines (de humor, de vontade, de objetivos – ainda que com a mesma essência) que hoje vejo que  só quem conhece a mim mesma sou eu, e ainda assim, male male. Precisei viver anos com as mesmas pessoas, e depois viver outros mais longe delas e perto de outras pra perceber isso, mas acho que no fundo, isso vale para todo mundo.

Temos a ilusão de que os amigos são aqueles que nos conhecem, mas na verdade, a descrição compatível ao valor que tem essa palavra  é daqueles que de alguma forma nos dão a mão, que estão prontos a ajudar sem precisar de título nenhum, ou nem mesmo saber seu nome. É óbvio que criar vínculos e amizades à longo prazo faz com que se estabeleça uma cumplicidade que automaticamente gera a troca, mas ao mesmo tempo, a cumplicidade pode nascer da ajuda (ou troca) sem obrigação nenhuma, o que faz dela ainda mais valiosa. 

Não vejo mais a necessidade de manter relações como antes e fico muito feliz e aliviada por isso. Feliz por ter me libertado das obrigações do convívio. Por ter desapegado da necessidade de ter alguém me ouvindo.
Mais do que manter amizades, hoje vejo que é mais valioso estar aberto a qualquer um, porque há pessoas que gostam de ajudar, de ouvir, de presenciar em qualquer circunstância, com conhecidos de longa data ou não.

Desde que cheguei, acho que esse foi o maior estalo que tive. De resto, só quero fazer o dia ter 30 horas, viajo sem sair do lugar, observo as pessoas se matando na Babilônia e…Penso. Como sempre. Se eu parar, talvez o dia possa voltar a ter 24. :P

Estamos ainda em adaptação…Mas felizmente as coisas estão se ajeitando muito mais rápido do que poderíamos imaginar. Casa, trabalho, dinheiro. Parte delas, pela mão de amigos de sempre. Outras, por boa vontade geral da nação. É bom lembrar que ela existe. Bom lembrar que o tempo não pára e que oportunidades surgem daonde você permite.

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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