Grey “Gadenz” (As Little Edie would say)

Na década de 70, a irmã de Jacqueline Onassis conversou com os diretores de cinema Albert e David Maysles afim de produzir um documentário sobre a vida da então primeira dama – especialmente sobre sua infância em East Hampton, Long Island.
Ao mesmo tempo, duas parentes de Jackie O’ ganharam boa atenção na mídia. Edith Bouvier Beale (Big Edie), tia de sangue de Jacqueline, e sua filha, Little Edie foram tema de uma matéria na época, que mostrava a condição deplorável que viviam, meio exiladas do mundo numa mansão de 28 cômodos em Grey Gardens, jogada às traças. Do luxo ao lixo.
A vigilância sanitária, ao fazer uma visita ao local, tinha a intenção de demoli-lo e pra não fazê-lo, ordenou que a propriedade fosse limpa. Obviamente, após a exposição relacionada ao nome da família, a própria Jacqueline Onassis doou $32.000 para que o lugar ficasse habitável.
Depois dos problemas com a corte por causa do desleixo da casa, Edith Beale, ou Big Edie, não queria mais deixar a casa com medo de que  fosse legalmente proibida de entrar novamente. A mansão era dos Beales desde a década de 20, e ficou para Big Edie como parte dos bens que seu marido tinha, depois que ele abandonou a família.
Após a aparição de mãe e filha na imprensa, os irmãos Maysles então, decidiram que essas duas eram um tema ainda mais interessante para um documentário do que a infância da primeira dama.
Os irmãos diretores passaram dias e dias na tão famosa casa entregue aos gatos, racoons e pulgas, muitas pulgas. Dizem que apenas 3 cômodos da casa eram usados com frequencia, que se podia encontrar até excrementos humanos nos cômodos menos usados e que durante a filmagem, toda a equipe usava coleira anti-pulgas no pescoço.

O filme retrata basicamente a vida no mínimo excêntrica das duas, e em especial suas impressões sobre passado e futuro. Mãe e filha constantemente discutem o porque aconteceu ou não algo, ou o que aconteceria se…
Muitos pensamentos, muitos diálogos, muitos gritos, muitas dancinhas de Little Edie, lindas e tocantes cantorias de Big Edie (<3)…
Enfim, ações de duas pessoas que sonharam estar no showbizz durante anos e que depois do “fracasso” viviam sozinhas num mundo só seu. Apesar de desavenças e altos e baixos, unem-se na cumplicidade e na fidelidade de não se deixarem. Ficou difícil pra mim, após o filme, imaginar Little Edie sem Big Edie e vice- versa. Little Edie viveu uns 20 anos a mais que a mãe. Depois da morte de Big Edie, a filha ainda permaneceu na casa por quase 3 anos antes de vendê-la. Depois tentou voltar ao show-bizz e mudou-se para Nova York.
Queria ter conhecido essa história antes.
A parte boa é que há ainda um outro documentário sobre as duas “The Beales of Grey Garden”, lançado em 2006 com cenas inéditas e também o longa metragem da HBO “Grey Gardens”, onde Big e Little Edie são interpretadas por Jessica Lange e Drew Barrymore, além de muitas páginas na internet sobre o assunto e livros contendo escritos e cartas da Edith filha.

Imperdível. Tocante. Inesquecível!

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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