Lixo extraordinário

Filme sobre um projeto de Vik Muniz. O maior lixão do mundo. Pessoas carentes e cheias de esperança. Investimento e grande visibilidade…
Tinha tudo pra ser um documentário incrível, mas me parte o coração dizer que fiquei decepcionada.

Não se pode dizer que é um filme que não vale a pena. O tema é ótimo, filme no lixão quase nunca falha. Me lembrei de “Estamira”, maravilhoso…
Em muitos momentos fiquei emocionada com a beleza dos catadores, que viraram artistas também através do projeto do Vik  mas esse foi sem dúvida um filme feito pra gringo ver, o que me deixou um bocado envergonhada.

Pra começar, o documentário quase inteiro se passa no Brasil e é composto de brasileiros, mas todo mundo fala em inglês (a não ser os catadores, claro) o que é desnecessário e vexatório, uma vez que sabemos que é brasileiro falando com brasileiro. Além disso, a pronúncia deixa MUITO a desejar, especialmente a do Vik (PÉSSIMA), que não sei porque cargas d’agua comandou o filme inteiro.
Era o Vik que falava do lixão, o Vik que ia entrevistas as pessoas, o Vik que fazia piadinhas…Olha como o Vik é cool! Dá pra ver claramente o quanto as perguntas dele, as ações dele são forçadas ou dirigidas por alguém. Perdeu a naturalidade em muitas partes. Seria tão melhor que ele fosse só o artista…
O projeto é maravilhoso, mas a vontade de mostrar a “bondade” do Vik no filme teve tanto espaço quanto ele. Desnecessário…Egocêntrico até. A bandeira levantada era a dos catadores, mas o artista teve tanto holofote quanto.

Tem uma cena em que ele discute com a sua esposa se deve ou não levar um dos catadores para o leilão das artes em Londres que me deu vontade de me esconder embaixo da cama, indignada. Duas pessoas sentindo-se solidárias discutindo superiormente sobre a vida de “coitados”. Fiquei pensando o que deu na cabeça da equipe pra colocar aquela cena escrota no filme.

Estranhei o documentário ter sido tão bem recebido pela crítica lá fora, mas obviamente, gente vivendo no lixão e tentando mudar pra melhor é algo que emociona naturalmente, especialmente quem não tem ligação com a miséria. Suas histórias são tristes e/ou tocantes, o que obviamente foi bastante explorado pela direção. Ponto pro Vik no mundo.
Pra mim, como brasileira, foi um tanto oportunista.

Mas não deixem de assitir. O talento do cara é inquestionável e a participação dos catadores na arte é uma coisa única. Enfim…Mais uma idéia linda, mas não documentada à altura.

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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