Conhecimento ≠ Inteligência

Ao escrever o post sobre as rugas deu vontade de registrar mais observações sobre o perigo da informação e da intelectualidade.

Ouço e vejo muita gente assassinando o Português hoje em dia. Quase no mesmo tanto, ouço e vejo aqueles que se incomodam verdadeiramente com isso.

Ver um erro crasso da língua também me parte o coração, me dá uma pontadinha…Essa sou eu – pai formado em letras, mãe pedagoga -apaixonada por palavras desde pequena. Mas no fundo, acho que escrever/falar corretamente não é tão importante assim.

Nas eleições o assunto fica polêmico. É praxe apontarem a incapacidade de um candidato por sua falta de estudo. Falta de estudo virou sinônimo de falta de preparo. Mas…Peraí. Falar bom português é bacana. Traz aquela credibilidade ilusória que o povo adora, mas ao mesmo tempo parece minusculamente desnecessário perto de outras características indispensáveis que fazem um bom ser humano ou mesmo um bom líder.

Pra mim isso tem um nome bem bonito, que muitos brasileiros sabem escrever mas esquecem o significado: preconceito.
E o pior: preconceito de quem tem instrução.

Parece que quanto mais uma pessoa estuda, mais livros lê, mais se informa, mais conhecimento acumula, mais superior se sente.

O homem que diz que sabe sente-se experiente e por isso, nada mais precisa aprender. Acha que por ter acumulado tanta informação, sabe o que é melhor, não só pra sua vida, mas como para as dos outros.  Já perceberam como estudiosos tem sempre palpite de como as coisas deveriam ser?

Eu, na minha experiência, nunca passei isso com o lavrador que era meu vizinho na Índia. Um fiapo de gente, mal sabia escrever e as palavras lhe eram limitadas…E que dádiva! Se comunicava com sorrisos, vivia sua rotina simples e parecia gozar da maior paz de shiva possível! De alguma forma, sabia, que tudo está do jeito que deveria.

O homem que me parece inteligente (ou realmente equilibrado e feliz) é um livro em branco. Não sabe de nada ainda que tenha 20 diplomas (do que vale um pedaço de papel dado, carimbado e assinado por outro mortal apto por ser estudioso?).

Amo a informação, os livros e o conhecimento, mas acho importante tomar cuidado para que eles não massacrem aquilo que pode sair naturalmente de dentro da gente, aquela essência única e incomparável, que se perde com o passar dos anos por esses ciclos que criamos para a nossa segurança. Conhecimento demais enterra o conhecimento pessoal. Posso passar anos estudando todos os grandes filósofos, psicanalistas e antropólogos do mundo. Mas enquanto isso acontece, deixo num armário as minhas próprias impressões, que provavelmente me valem muito mais do que as deles. Muitas dessas impressões podem casar até…Mas chegar nelas por si só é outra coisa.

Conhecimento é importante. Usemos com moderação.

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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