Das minhas entranhas parte II

Há pouco mais de 6 anos atrás, escrevi o texto abaixo (de título acima) num antigo blog.
Relendo-o, pude me divertir com as minhas opiniões sobre a vida. Ver que atualmente elas já não faz o menor sentido me faz perder o medo de falar o que penso. Jogo as mãos para o céu por me saber metamorfose.

Vai vendo. 

” Houve uma época em que eu achava que a gente vivia no topo do planeta, afinal, a gente sempre tá de pé, do lado certo. Também achava que os ladrões podiam simplesmente escalar meu prédio e chegar no nono andar. Achava absurdo quando as pessoas me diziam que um dia eu não ia mais querer brincar de Barbie e ia me interessar por meninos, achava que quando eu fizesse dezesseis anos eu ia estar a cara da Alessandra Ambrósio e achava que ter filhos não valeria a pena.
Bom, continuo sem filhos. Mas a minha idéia sobre, mudou. Uma vez, sabe, eu ouvi o Luciano Huck (heheh) dizendo que ele não queria passar a vida em branco.Que queria fazer alguma coisa que o fisesse ser lembrado por toda a eternidade. Tá. Ele até é um cara famoso. Profissionalmente. Nacionalmente. E o mais importante: atualmente. Ele não é o Charles Chaplin, nem o Albert Einstein nem os Beatles. Quando eu o ouvi dizer isso, achei interessante até, mas hoje, parece uma ambição impossível. Daí veio meio que uma resposta para a pergunta que todas as pessoas(ou pelo menos a maioria delas) se fazem muitas vezes durante a vida. Como se tornar eterno?
A resposta é ter filhos!
E não me venha com a conversa de que, pra que botar mais gente nesse mundo se o mundo blá blá blá. O Kurt Cobain disse uma vez que não achava justo criar um filho num lugar tão horrível, mas quando você ama, o mundo é maravilhoso! É…blá blá blá de novo. Mas o que importa é: não há forma mais fácil e verdadeira de se manter eterno e meio que imortal do que procriando! Carreira, relacionamentos, dinheiro…tudo enrolação pra pra chegar a hora crucial: procriar! Muita gente troca os fatores. – Não. Filhos dão muito trabalho! Vai muito dinheiro! Vou ter que largar a minha carreira.- Mas darling, uma hora deve ser feito, você está aqui pra isso e creio que não se tem muito a perder! Ai, ai. Tá bom. Eu tenho um útero. Mas eu acho que faz sentido.”
 
Até achei válido o raciocínio dessa mocinha de 20 anos, mas hoje consigo enxergar que o te faz eterno ou imortal não é sucesso, nem dinheiro e nem mesmo a procriação.
Não desisti completamente de ter filhos. É natural ter curiosidade de saber o que sairia de dentro de você  e de que forma esse serzinho se desenvolveria. Não acho que o mundo seja um lugar ruim para se criar alguém…mas acho que já há muita gente sem criação, sem assistência, sem amor e sem educação. Cada vida humana é preciosa demais para ser banalizada e a quantidade de filhos que as pessoas continuam tendo hoje em dia faz com que ela perca seu valor. Não vejo porque ter várias crias se há tantas delas espalhadas no mundo precisando de direção. Acho um pouco egoísta. E pensar que “meu filho vai vir para acrescentar” ou “comigo será diferente”, é lugar comum pra toda mãe. Por isso que o mundo tá do jeito que tá.
De toda forma, não é ter ou não filhos que te faz imortal. Seus filhos morrerão como você, assim como o resto da sua árvore genealógica.
O que te faz imortal parece ser a quantidade de amor que você oferece a um ofício ou principalmente, aos outros. Quantas pessoas são lembradas eternamente por suas palavras, suas ações, pela novidade que ofereceram ao mundo…No fim das contas,  a autenticidade é o que te difere dos tantos outros e só do amor intermediado por ela, vive-se eternamente.
 
Pelo menos é o que eu penso até meu próximo update sobre o assunto. :)
 
 
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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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