Dramas de quem volta

Posso dizer que repatriar-se não é nada fácil.
Me admira eu não ter pensado antes o quanto voltar ao país de origem é tão difícil quanto se acostumar em outro.
Tendemos a guardar aquela memória das coisas como deixamos, das pessoas como eram… E 1 , 2 , 3 anos fazem muita, muita diferença.

Quando voltamos, aquela memória não existe mais. Aquelas pessoas mudaram, as ruas mudaram, aquilo que você chamava de “casa” não é mais reconhecível e aí você se sente nao sendo de lugar nenhum. Nem de lá, nem de cá. Algo no meio do caminho.

Inicialmente essa “falta de chão” dá um desespero, mas optar por não voltar também não parece uma opção sem percalços.
Não sei se é geral, mas um conhecido repatriado há um ano como eu, postou há pouco um texto ótimo sobre o assunto – o choque cultural reverso, suas dificuldades, sobre o que é comum em todos que passam por isso…
Dá pra ler na íntegra aqui, mas separei uma parte ótima, bem fácil de identificar:

Expats returning home can expect their top re-entry challenges being:

– Boredom
– No one wants to listen
– You can’t explain
– Reverse homesickness
– Relationships have changed
– People see “wrong” changes
– People misunderstand you
– Feelings of alienation
– Inability to apply new knowledge and skills
– Loss/compartmentalisation of experience

Impressionantemente, eu compartilhei da maioria dos itens. Sem dúvida.

Depois de uns 4, 5 meses, a adaptação se mostrou novamente.  Me senti esquisita inicialmente, mas nossa capacidade de moldar-se é infinita e eu acabei por vestir a carapuça da cidadã do mundo e não me sentia mais de lugar nenhum, mas de todos os lugares.
Passei a exercitar olhar São Paulo com olhos de turista, com olhos frescos. Vou a exposições, parques, conheço gente como se fosse algo tão novo quanto fora daqui e essa repatriação passou a ser divertida. Isso me ajudou muito.

Enfãn…dedico esse post e indico a leitura completa do texto pra quem já passou, está passando ou pode passar por isso em breve.
É bem útil e confortante. :-)

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Sobre ariaround

25, santista, apaixonada e viajante em todos os sentidos...agora em Goa, na Índia. Amante da escrita, de lugares novos, crenças e pessoas.

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